Dependência química: Muito além da química
By Cláudio

Dependência química: Muito além da química

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Quando falamos em dependência química estamos nomeando um usuário abusivo de drogas legais ou ilegais. Outros termos são utilizados com frequência como adictos, dependentes químicos ou mesmo agora, mais recentemente o TUS (Transtorno de uso de substâncias).
Não importa o nome, mas todas estas formas de nomear está doença ainda não sintetiza a gravidade da mesma. Isto é importante ressaltar porque não é possível tratar a mesma apenas com a química. Sua complexidade vai muito além de uma alteração neuroquímica no nosso sistema nervoso e distúrbios nos nossos hormônios e algum componente genético herdado dos nossos antepassados.
Vários aspectos devem ser considerados no enfrentamento desta realidade:

a) Aspectos químicos: Sim, o uso abusivo de substancias psicoativas vão afetar todo o nosso metabolismo produzindo um caos no nosso sistema nervoso. Excesso e falta de neurotransmissores serão responsáveis por alterações comportamentais impressionantes. Alguns casos, o sujeito precisa ter acompanhamento psiquiátrico para reequilibrar o funcionamento psíquico. Negligenciar esta realidade é um equívoco enorme e dificilmente o tratamento dará certo;

b) Aspectos psicológicos: Questões emocionais, mentais e traumas ao longo da história do sujeito estão sempre presentes na vida dependente químico. O espaço da escuta profissional e de seus pares é fundamental para um processo de recuperação eficiente e eficaz;

c) Aspectos sociais: Não podemos esquecer que somos seres sociais. Precisamos da convivência com outras pessoas até mesmo para ajudar no processo de autoconhecimento e de ter a sensação de pertencimento a um grupo. A dependência química vai até ao grupo dos usuários, à maneira de se vestir e a maneira de se comunicar. A inadequação social do adicto é impressionante, chegando ao ponto do seu isolamento social, inclusive dos seus familiares;

d) Aspecto Espiritual: Os seres humanos, diferente de todos os seres vivos, possuem uma necessidade enorme de se encontrar numa dimensão transcendental. O dependente químico não é diferente. Assim, o seu encontro com essa dimensão pode ser muito importante para o seu tratamento.

Assim, limitar o tratamento do dependente químico com assistência médica e medicamentosa é um erro grave. Fica aí a dica para familiares e dependentes.

Cláudio M. Nogueira – Psicólogo – Especialista em DQ

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  • Julho 22, 2023
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