Cachorro que late não morde
By Cláudio

Cachorro que late não morde

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Nem sempre este ditado condiz com a realidade. Já vi muitos cachorros latindo e mordendo, porém, não estamos aqui para falar de cachorros é óbvio, estamos falando de seres humanos.

Em se tratando do ser humano, apesar de não poder generalizar, a maioria das pessoas que gritam, ameaçam e “latem” com muita convicção na verdade ao serem defrontadas, recuam nas suas ameaças e são incapazes de fazerem as coisas que elas falam.

Exemplo clássico disto são os dependentes químicos na ativa. Impulsivos e ameaçadores, intimidam a frágil família codependente para alcançarem seus objetivos que, normalmente se resume em apenas um: a próxima dose.

Assustada e em pânico, os familiares vão cedendo aos caprichos do dependente químico e este vai avançando o “sinal” levando todo o grupo familiar a beira da loucura. Como a doença da dependência química é progressiva, estes abusos vão se agravando cada vez mais podendo acontecer verdadeiras tragédias no seio familiar.

Precisamos entender que, o adicto está movido pela sua doença. Muitas vezes, mesmo quando eles não estão sobre os efeitos das drogas, eles estão na crise de abstinência e, ou, na “fissura”, sem contar aquilo que os cientistas chamam de “drogas de comportamento”, ou seja, segundo a literatura dos grupos anônimos, os defeitos de caráter como a manipulação, as mentiras, o vitimismo, a procrastinação, a impulsividade, a agressividade e a violência, etc.

Por tudo isto, a família codependente deve priorizar o seu próprio tratamento. Entender que precisa se fortalecer para conseguir superar o medo e a fragilidade, com o objetivo de colocar um “limite” na loucura do dependente.

Todos já passamos por esta experiência. De carro ou mesmo de bicicleta, quando um cachorro vem correndo latindo a gente, se a gente parar o veículo, o cachorro para de latir e de correr. Não enfrenta a gente.

Da mesma maneira, tirando as ressalvas da analogia é óbvio, quando a família para de temer as explosões de raiva e de crises do dependente, o mesmo, na maioria das vezes, vai se enquadrando nos limites e regras da família.

Cláudio Martins Nogueira – Psicólogo Clínico – Especialista em DQ

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  • Junho 21, 2023
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