Terapias paralelas III
By Cláudio

Terapias paralelas III

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– Divã III: o pai septuagenário e a filha –

O Pai:

– Ela continua ingênua igual quando era criança. É tudo um drama, acha que eu não sei me virar sozinho, que tenho que me aposentar, cuidar mais da saúde. Quer saber? Eu estou mais forte e lúcido do que ela. Ela me sufoca com tanto controle. Tenho que fumar escondido, olha que coisa mais ridícula. Ela é que tem que cuidar da vida dela e se divertir mais com o mala do marido. Quando vem com uma lista de instruções, a única forma de fazê-la parar é me fazer de bobo e esquecido. Meus netos sim, esses me divertem, me entendem, e até ajudam a criar minhas estratégias de fuga desse controle tão cerrado.

O terapeuta:

– E você já conversou com ela sobre isso?

O pai:

– Ela não tem maturidade para entender. Continua uma criança. Deixa-a se sentir útil achando que a gente é inútil.

A Filha:

– Meu pai não se cuida. Trabalha oito horas por dia, sai três vezes por semana para se intoxicar de café com os amigos. Depois chega em casa e ainda cozinha para minha mãe. Ele diz que tem prazer nisso, mas é pura teimosia, ele não tem essa força toda. Anda tendo uns lapsos de memória e de concentração, quando eu tento passar as minhas orientações, por exemplo, ele parece que se perde, fica estranho. Pelo menos parou de fumar. Se não fosse eu ficar em cima, controlando… A verdade é que eles dependem de mim.

O terapeuta:

– Você acha, então, que seus pais, mesmo ativos, dependem de você só porque têm oitenta anos?

A filha:

– Sim, quero dizer, não. Ah sei lá, só sei que eles dependem de mim.

fonte: https://www.quarentenando.com/post/terapias-paralelas

Meu comentário:

Estamos diante de duas situações interessantes aqui e extremamente comum nas famílias. De um lado, uma filha codependente que, de maneira invasiva, tenta controlar a vida dos pais mesmo sem ser acionada, ou seja, sem a demanda dos mesmos. Por outro lado, temos os pais que, apesar da avançada idade, ainda conseguem uma certa independência funcional e ainda muita autonomia.

O processo de envelhecimento, naturalmente vai nos empurrando para o lugar da dependência. As pessoas que convivem com os idosos devem tomar muito cuidado para não alimentar o processo de Co dependência tão comum nestes casos.

O terapeuta deve focar o atendimento na filha codependente. Eventualmente, deve atender os pais com o objetivo dos mesmos aceitarem o processo de envelhecimento e dependência como algo normal da vida,

Cláudio Martins Nogueira – Psicólogo Clínico

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  • Abril 19, 2023
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