Drogas Inalantes: o perigo está no ar – II
By Cláudio

Drogas Inalantes: o perigo está no ar – II

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Consequências para a saúde II

O uso de inalantes na gestação aumenta o risco de abortamentos espontâneos. Além disso, os bebês de mães usuárias têm risco aumentado de atraso do crescimento, diminuição do desenvolvimento do cérebro e alterações no seus funcionamento, malformações oculares, orelhas de implantação baixa, mandíbula pouco desenvolvida e unhas diminutas. Também há relatos de déficit de atenção e atraso do desenvolvimento, incluindo distúrbios de linguagem. Esses dados revestem-se de importância especial se levarmos em conta o elevado índice de gravidez na adolescência em nosso país e o fato de os inalantes serem consumidos predominantemente por adolescentes e adultos jovens.

Os usuários crônicos podem apresentar um padrão de uso compulsivo, “perder o controle” do uso e encontrar dificuldades para reduzir o consumo ou parar completamente. A síndrome de abstinência ocorre com a interrupção abrupta do uso, que gera ansiedade, agitação, tremedeiras, câimbras nas pernas e insônia. Conforme a substancia utilizada, já pode ocorrer tolerância após um a dois meses de uso crônico.

O risco de overdose aumenta com o uso de sacos plásticos ou com a utilização dessas substancias em espaços muito restritos, como, por exemplo, debaixo do cobertor. Outra forma muito perigosa de uso é pingar o inalante no travesseiro, pois a pessoa pode adormecer e continuar inalando o produto até chegar à overdose, quando a morte ocorre por depressão generalizada do sistema nervoso central.

Padrões de consumo

Ao contrário do que muita gente pensa, os inalantes não são usados apenas pelos meninos de rua. Segundo os levantamentos oficiais de consumo de drogas entre os estudantes brasileiros, depois do tabaco e do álcool, os inalantes foram as drogas mais consumidas pelos jovens, independente de sua classe social, escola que frequenta ou tamanho da cidade em que mora. Estima-se que 14% dos estudantes do ensino fundamental e médio experimentaram inalantes alguma vez na vida. O uso inicial ocorre em média aos 11 anos de idade. Não foram encontradas diferenças de uso entre os sexos, e os produtos mais utilizados foram a acetona, o esmalte e o cheirinho de loló.
Uma pesquisa realizada em escolas públicas e privadas de São Paulo constatou um consumo mais elevado de inalantes entre os alunos da rede particular, principalmente de lança perfume e “loló”.

Um estudo realizado em escolas de sete capitais brasileiras o uso diário de inalantes foi admitido por 5,7% dos meninos e 4,3% das meninas. O mesmo estudo verificou que a percepção do uso dessas substancias é maior entre os pais e membros do corpo técnico-pedagógico da escola do que entre os alunos – 21,6% dos estudantes e 31,8% dos adultos relataram ter visto essas substancias serem consumidas.
Entre os estudantes, os inalantes geralmente são usados em grupo e em locais privados, como dentro de casa, e, muitas vezes são produtos encontrados no próprio ambiente doméstico. Já entre os meninos e meninas em situação de rua, o uso ocorre no espaço público, com produtos comprados ou, em alguns casos, furtados.

A maioria dos jovens que experimenta inalantes usa apenas algumas vezes e para. Entretanto, uma pequena parcela deles continua utilizando essas substancias por tempo indeterminado. Entre esses, há relatos de sessões contínuas de uso. O uso de inalantes é de início precoce, influenciado pelo grupo de amigos (é improvável o início do consumo de forma solitária), com diminuição ou desinteresse pelo consumo com o aumento da idade.

A forma de consumo é determinada pelo modo de apresentação do produto. As colas são preferencialmente cheiradas em sacos ou a partir da própria embalagem. Já os aerossóis e líquidos são inalados a partir do próprio recipiente ou embebidos em pedaço tecido. A maneira usual de se utilizar o fluido de isqueiro é colocar a válvula entre os dentes e pressioná-la para a liberação do gás.

Continua na próxima edição
Texto da autora: Hilda Regina Ferreira Dalla Déia
Livro: Tá na roda: uma conversa sobre drogas

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  • Março 7, 2023
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