Não perdemos a esperança.
By Cláudio

Não perdemos a esperança.

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E hoje, quero falar de mim, como anda minha vida, o que ando fazendo e como vivo meu dia a dia.
Por que falar de mim? Porque a vida da gente precisa continuar, e não digo isso, porque sou sem coração ou não tenho sentimentos, mas porque, independentemente da escolha do meu dependente químico, eu preciso seguir minha vida. Eu preciso me fortalecer para que eu possa estar bem por mim e para que eu possa ajuda -lo.
Hoje, posso dizer que vivo a minha vida dentro de certa normalidade. Sou doente? Sou codependente e preciso de recuperação também. É vigilância diária, mas, mesmo assim estou aprendendo a cada dia a viver a minha vida. Eu até que já vivia antes, porém não tão desapegada da vida do meu filho.
Obviamente que penso nele todos os dias, que nem todos os dias são bons, pois qual a mãe que quer seu filho doente?
Claro que já pensei que fico calma e sigo a vida, porque ele está dentro de uma comunidade terapêutica e, para muitos, isso é só um descanso para a família. Eu não concordo, porque, assim como ele está lá, se quiser, ele pode sair a qualquer momento. Realmente, tenho outra visão hoje, devido a muita conversa com meus familiares.
Viver na recuperação da dependência química e na codependencia é isso: ajuda, muita ajuda, independentemente de horário e dia, partilha e mais partilhas, união.
Chega ser emocionante, porque, muitas vezes, nem conhecemos a pessoa, não temos laços de amizade ou parentesco, e essa pessoa ouve, entende você e te consola. Posso dizer que união como essa eu não conhecia, pois não existe julgamento, e isso para mim é o máximo. Meu filho está a três meses e alguns dias na Comunidade Terapêutica e eu não perdi a esperança de dias melhores. Estou ciente de que a recaída faz parte do tratamento e que ele até pode abortar esse tratamento a qualquer momento. Mesmo assim eu acredito em dias melhores e que sempre há esperança. Certa vez ouvi uma pessoa falar que, até mesmo do desespero, devemos ver o lado bom, e é bem isso.
Como assim lado bom, Claudia? Isso mesmo! Como eu cresci como ser humano! Eu já tinha muito em mim que devemos ajudar o próximo, porém não fazia. Aí, a doença bate em minha porta e, hoje, eu respiro recuperação, tipos de drogas, Amor exigente, terapia etc.
Esta doença me impulsionou a fazer minha reforma íntima fortalecendo assim minha fé, sem empurrar com a barriga. O tratamento me trouxe pessoas tão especiais que me ajudam bem mais do outras que conheço há anos. Hoje, eu estou fazendo por mim, mudando, crescendo, vivendo … jamais imaginei que minha vida tomaria um rumo tão diferente. Há um tempo jamais imaginei que eu diria isso, mas, sim, há esperança
Claudia Mãe de um dependente químico em recuperação!!
Feliz dia das mães, que é todo dia, a todas nós guerreiras ..

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  • Junho 8, 2022
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