Relação entre economia e codependência
By Cláudio

Relação entre economia e codependência

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Um dos pilares das ciências econômicas mais conhecido da população sem sombra de dúvidas é a lei da oferta e da procura. Ela é tão óbvia que você não precisa ser economista para entende-la, basta apenas ter bom senso e percebê-la no nosso cotidiano. Para ficar mais claro podemos exemplificar:

– As frutas e legumes mais baratos no sacolão são aqueles que estão no auge da safra, ou seja, muita oferta do produto os preços caem. Da mesma maneira acontece o contrário. Na entressafra onde a oferta do produto é pequena os preços sobem.

Outra vertente desta lei é a demanda. Se um país ou região passa por um crescimento econômico considerável e ocorre uma recuperação da massa salarial, isto vai aumentar a demanda, ou seja, muitas pessoas vão procurar mais produtos e os mesmos vão ser valorizados, podendo ocorrer aquilo que os economistas chamam de “Inflação de demanda”. Nestes casos os preços sobem por causa da grande procura.

Os metais preciosos são valorizados porque são raros. Quando a oferta é pequena, o valor da mercadoria é maior. Quando a oferta é grande, a mercadoria é desvalorizada.

Sei que nossos leitores estão pensando algo deste tipo neste momento: “Que relação tem isto com a codependência?”. Esta reflexão nasceu de um sonho. Por incrível que pareça eu acordei pensando nisto e preciso compartilhá-la com vocês.

Nas relações afetivas codependentes é fato a disponibilidade do mesmo para com os seus dependentes (químicos ou não). O codependente o tempo todo se oferece para o dependente. Podemos dizer que ele é uma “máquina” de resolução de problemas dos seus codependentes. Sua oferta é tamanha que ele fica sobrando na “prateleira do sacolão emocional.” Agindo assim, o dependente não valoriza aquele “produto”. Ele está ali o tempo todo disponível para ser “usado e abusado”.

Uma das lições que os codependentes precisam aprender é não ficarem tão disponíveis para os dependentes. Se a oferta é menor o dependente tende a valorizar mais. Para que isto ocorra é fundamental o autocuidado e o resgate da autoestima. Isto só vai acontecer se o codependente tiver a humildade de buscar ajuda para si mesmo.

O dependente precisa aprender duas lições básicas para começar a pensar em tratamento. Saber esperar e escutar a palavra “não”.  Quando o dependente aprende isto, por incrível que pareça, ele começa a valorizar os codependentes.

Desta feita, ambos começam a construir uma relação afetiva mais saudável, equilibrada e duradoura, podendo sensibilizar o dependente químico a assumir suas responsabilidades de suas escolhas e buscar o tratamento caso seja necessário.

O codependente precisa aprender a receber, o dependente precisa aprender a dar. Só assim é possível equilibrar esta balança “econômica afetiva”

Portanto, saía da “xepa do sacolão” e se torne uma “fruta exótica, importada e rara”. O dependente só vai te respeitar e te valorizar se você fizer isto primeiro com você.

 

Claudio Martins Nogueira – Psicólogo Clínico – Especialista em dependência química

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  • Fevereiro 21, 2022
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