Conto – Codependência: a doença da família – parte final
By Cláudio

Conto – Codependência: a doença da família – parte final

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A dependência de drogas afetando toda a família

Passaram-se alguns meses, e Felipe tentou controlar o uso de drogas. Afinal, ele tinha que convencer seus familiares que sabia o que estava fazendo, e que não era dependente. Usava a droga apenas de vez em quando em festas e finais de semana. Beber… para ele, isto era normal. Todo mundo fazia isto, afinal, acreditava que o álcool não era uma droga. Continuou bebendo com frequência e a família achava normal.

O Sr. João, aquele do grupo de apoio da Família de Caná, nem era lembrado mais. Para que expor publicamente um problema da família?

Tudo parecia bem, até que uma nova bomba explodiu: um telefonema de madrugada. Aquela sexta-feira ficou marcada na vida de Marcos e Letícia:

– É da casa do garoto Felipe?

Dona Letícia respondeu:

– Sim, aconteceu alguma coisa? – perguntou aflita.

A pessoa se identificou como o detetive da delegacia de polícia e comunicou à Dona Letícia que seu filho estava detido por traficar cocaína.

Dona Letícia, paralisada, não conseguiu falar mais nada, não conteve as lágrimas e o detetive continuava a dar aquela péssima notícia:

– Seu filho foi pego em flagrante com uma quantidade razoável de drogas e estava vendendo para um grupo de jovens. Como ele é menor de idade, precisamos de uma pessoa responsável para responder ao inquérito.

Marcos, pai de Felipe pega o telefone de Letícia e escuta toda a história do policial. Imediatamente, desesperado, o casal vai em direção à delegacia. Marcos liga para um amigo que é advogado e solicita os seus serviços para soltar Felipe. Após a abertura do Inquérito e o pagamento da fiança, Felipe foi solto na responsabilidade dos seus pais.

Retornando para casa, o silêncio profundo se abateu no carro. A decepção, a vergonha, a dor, o sentimento de traição e a grande dúvida> “onde foi que eu errei?”

Ninguém tinha forças para dizer uma só palavra. O silêncio da madrugada cortava aquelas almas sofridas, destruídas pela droga.

Quando eles chegaram em casa, Marisa, a irmã de Felipe, estava acordada desesperada sem saber o que tinha acontecido com o irmão. O silêncio foi rompido com as palavras de Marcos:

– Vê se você aprende com isto seu traficante!

Felipe cabisbaixo não respondeu nada. Simplesmente olhou para o seu pai e foi para o quarto.

Sua mãe entrou para o quarto para chorar. Chorou até ao amanhecer do dia, quando o cansaço a fez dormir um pouco.

Marcos ficou assistindo TV até dormir no sofá, ao lado da sua cervejinha.

Ao acordar, todos pareciam ter levado uma surra durante aquela noite.

Marisa teve a coragem de iniciar o diálogo e perguntou:

– Gente, vamos procurar de novo o Sr. João para pegar endereço da reunião de apoio! Estamos todos precisando de ajuda. Eu não aguento mais viver neste inferno.

Assim, depois de muito sofrimento, a família começou a participar das reuniões. Felipe resistiu no início, mas depois, resolveu também participar.

Hoje, Felipe se encontra internado na Fazenda de Caná, recuperando sua vida, sua autoestima, seus estudos, sua espiritualidade. Sua família continua participando das reuniões de apoio, e a cada dia todos estão mais empenhados para sair da co-dependência e da dependência, além de estarem ajudando outros familiares que estão passando pelo mesmo sofrimento.

Ajudando e sendo ajudados, crescendo juntos em busca da sobriedade e da paz.

Obs.: este conto foi escrito baseado em fatos reais de centenas de famílias que procuram a Família de Caná. Os nomes são fictícios e não representam nenhuma família em particular, mas sim, uma realidade de todas as famílias co-dependentes.

Cláudio Martins Nogueira

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  • Agosto 8, 2020
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