Reflexões sobre o primeiro passo do AA:
By Cláudio

Reflexões sobre o primeiro passo do AA:

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“Admito que sou impotente perante o álcool (e outras drogas) e que tinha perdido o controle sobre minha vida.”

Será que estou retomando o controle da minha vida?

Gostaria que esse controle pudesse ser como um controle de TV, que posso deixar em minhas mãos e escolher qual canal quero assistir. Se tratando sobre o controle da vida, as variáveis são inúmeras e com elas suas devidas responsabilidades, cuidados e abdicações. O sentimento de não ser “um normal” é o que mais assusta. Vou assumir esse controle e contar meus momentos, de uma forma que cada um está presente em um canal.

O canal vida me mostra o quão é bom viver, ter a oportunidade de recomeçar, de fazer o dia de hoje diferente de ontem, de experimentar novas sensações ou até mesmo de repetir o dia anterior, porém em horários diferentes, usando uma roupa diferente, comendo algo diferente. A única certeza que tenho deste canal é que nada será igual, posso sonhar e me permitir conhecer pessoas, perder pessoas, viajar, ficar atoa, ir trabalhar e voltar pra casa.

O canal morte não tem feito parte do meu plano de TV, mas eu sei que existe e que muitos o preferiram em seus planos. Mas não vejo como uma escolha sábia, acabar com tudo em um minuto, não ter a oportunidade de reparar seus erros e nem de pensar no futuro é algo que não vejo como uma saída, mas sim como adiar um filme e pular para o fim. Mas qual a necessidade de ser ansioso assim?

O canal doença é bem peculiar por sinal, assisto todos os dias vejo quais suas novidades, procuro entender ao máximo suas informações, mas nem sempre consigo absorver tudo. Às vezes pode ser um erro de interpretação, de comunicação ou absorção seletiva, sabe? Aprendo só o que eu quero. Bom, o que sei é que preciso conviver, ele é como um canal de rede aberta no qual posso trocar de plano, mas sempre estará lá na minha grade de TV. Aceitar este canal é um grande passo e identificar um remédio é essencial para não adoecer.

O canal família com certeza é um dos mais legais sabe? Me sinto confortável em assisti-lo, encontro força para lutar contra a programação do canal doença diariamente, mesmo que a doença afete até mesmo a família, mas acredito que juntos somos realmente mais fortes desde que cada um faça sua parte. Tenho procurado fazer a minha, mesmo assumindo que longe do ideal e da totalidade, tenho buscado meu caminho.

O canal sentimentos é aquele que mexe com 100% do meu ser, sabe por quê? Porque ele não dá pra dizer que é bom ou ruim, os sentimentos são variados, tem níveis de intensidade e vão e voltam com frequência. Alegria, tristeza, solidão, medo, impotência, revolta, solidariedade, aprendizado, carinho, ansiedade, decepção, perseverança, são alguns que sempre aparecem em minha mente. Saber lidar com eles talvez seja a fórmula para gostar de assistir esse canal, pois, só assim é possível se sentir humano e vivo.

Por último o canal novo normal, mas o que é ser normal? Estou começando aos poucos a assistir esse canal, acho que sua programação não tem sido muito atrativa, mas de vez em quando deixo rolar e assisto o que ele traz, nem que seja por 5, 10, 30 ou 60 minutos. Já que faz parte do meu plano de TV, porque não assistir, certo? Acredito que com o tempo eu descubra o significado da palavra normal e possa através dele enxergar em mim esse significado de como é o meu normal. Se ser normal é o mesmo que estar sóbrio, estou preferindo ser assim: meio igual, meio diferente, mas todo normal.

Bom, por hoje é só melhor eu desligar essa TV!

Luis Henrique – Adicto em recuperação.

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  • Julho 2, 2020
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