A “piriguete”
By Cláudio

A “piriguete”

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Na minha “loucura” de encontrar algo parecido com a relação dos codependentes e seus dependentes fico sempre refletindo sobre o meu cotidiano. As vezes aparece coisas que nem eu mesmo sei de onde vieram. Algumas vezes surgem de algum atendimento no consultório, outras vezes quando estou no transito. Já aconteceu até quando estou dormindo. Enfim, são os mistérios da vida que ninguém é capaz de desvendar.

Recentemente, escutando uma mãe me relatando o abuso cometido pelo seu filho dependente de drogas fazia com ela, eu fiquei observando como ela ainda conseguia fazer tanta coisa para ele. Ela só faltava carregar água na peneira para ele e ela não tinha nenhum valor para ele.

Na medida em que minha cliente relatava tanto sofrimento, eu me lembrei do meu tempo de estudante. Toda escola tinha aquela garota que no meu tempo chamava “galinha”, que ficava com todos os homens. Da mesma maneira, tinha aquele garoto que pegava todas as meninas da escola e não levava nenhuma a sério. Com o tempo, eles eram desprezados por todos da escola. Ninguém dava valor para eles  e no final estariam sozinhos invernados no seu sofrimento mental.

Hoje se fala na “piriquete”, aquela garota que não se dá o devido valor e se submete a todo e qualquer tipo de abuso. Na família a “piriquete” é o codependente. O tempo inteiro ele se oferece para o dependente. Ele vira a “mulher do malandro”, ou seja, aquela que apanha, apanha e continua ali naquele relacionamento doentio.

Sair deste lugar é fundamental para mudar as regras do jogo, ou melhor, as regras de convivência familiar. Renunciar o lugar de “piriquete” é fundamental para recuperar a saúde física e psíquica da família.

Vão aqui algumas dicas para você abandonar este lugar:

1 – Busque tratamento para você: Uma boa psicoterapia, um grupo de ajuda mútua e uma religião poderão de ajudar;

2 – Espere o dependente pedir ajuda:  Pare de se oferecer para ajudar. Mesmo quando ele pedir ajuda verifique se isto não vai te prejudicar;

3 – Mude seu foco:  Enquanto todos os seus holofotes estiverem voltados para o seu dependente, você não vai conseguir sair deste lugar;

4 – Renuncie o lugar de “deus”: você não é capaz de resolver todos os problemas de todos. Deixe que cada um aprenda com seus erros e sofram as consequências deles. Só assim ela vai crescer;

5 – Assuma sua vida: Não coloque sua vida na mão de ninguém, muito menos de  um dependente, um sujeito  frágil, confuso e imaturo.

Enfim, sua vida é muito preciosa para ficar na mão dos outros. Vale a pena tentar!

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  • Novembro 25, 2017
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