O que fazer com as “cracolândias” das nossas cidades?
By Cláudio

O que fazer com as “cracolândias” das nossas cidades?

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Infelizmente a realidade das cracolândias nos grandes centros urbanos e até mesmo nas médias e pequenas cidades brasileiras se tornou uma realidade no Brasil. Não é possível mais o poder público, as grandes empresas, as igrejas e a sociedade civil fazerem vista grossa para este problema tão grave.

Diante das recentes medidas tomadas pela maior cidade brasileira para tentar resolver este problema, muitas pessoas me perguntam qual a minha opinião sobre esta medida radical de colocar a polícia, os tratores  destruindo os abrigos dos dependentes de droga. Coloco aqui minha humilde opinião:

  1. A importância da prevenção: Enquanto a sociedade civil de maneira geral, o poder público e as grandes empresas e instituições (escolas, igrejas, sindicatos, conselhos de categorias profissionais, etc) não entenderem que a prevenção às drogas deveriam ser a prioridade número um, as cracolândias da vida irão se multiplicar por todo o país;
  2. – A importância do tratamento: Atualmente o poder público investiu numa estrutura própria de atenção aos dependentes químicos priorizando o tratamento médico e os chamados CAPASad (Centro de atenção psicossocial de álcool e drogas), desprezando e desvalorizando as experiências de mais de 30 anos da sociedade civil que já atende milhares de pessoas através dos grupos de apoio e das Comunidades Terapêuticas. Apesar dos seus escassos recursos, oferecem na maioria dos casos, um tratamento digno para os dependentes e seus familiares;
  3. – Que tratamento é este? Como qualquer outra doença, o tratamento deve ser definido de acordo com a gravidade do comprometimento físico, psíquico e social do doente. Assim, dentro deste contexto, ele deve ser dividido por etapas:
  4. Tratamento ambulatorial e grupos de apoio: indicado para os casos menos grave onde o quadro clínico é estável, o controle das funções psíquicas está preservado e a sua convivência social ainda não foi totalmente afetada. Existe ainda um mínimo de desejo de parar de fazer o uso da substancia;
  5. Tratamento em comunidades terapêuticas: indicado para os casos em que o dependente perdeu sua condição de sujeito e se tornou um objeto da droga. Alguém tem que intervir neste processo, seja a família ou o Estado. Antes de internar em uma CT é importante passar por uma triagem com médicos, psicólogos, dentistas e assistentes sociais. Alguns casos serão necessários internar em hospitais para tratar de problemas de saúde física e demais comprometimentos psíquicos;

Fora deste contexto, qualquer medida será apenas paliativa de uma sociedade que insiste em se omitir diante de tantas famílias e cidadãos brasileiros que estão sendo destruídas pelas drogas. Numa medida popular e inconsequente, coloca a policia para tentar resolver um problema social e de saúde pública. É obvio que não vai dar certo.

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  • Junho 15, 2017
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